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Postado por Bianca Maddox Especial: Happenstance parte 3

Com o intuito de que os fãs conheçam outros livros da Jamie McGuire (além da série dos Irmãos Maddox), no ano passado o site deu inicio a um especial onde “apresentaremos” os demais livros da autora. Começamos com o primeiro livro da trilogia Happenstance, onde os três receberam o mesmo título, com o diferencial de: Happenstance parte 1, parte 2 e parte 3. Hoje nós iremos apresentar a última parte da história de Erin e Wes, Happenstance 3.

Happenstance3

Sinopse:

Agora que Erin descobriu a verdade sobre as meninas que a torturaram, e sobre o menino que ela ama, ela encontra seu tempo antes da formatura diminuindo a um ritmo alarmante e emocionante. O que costumava ser férias de verão agora era uma contagem regressiva para seus últimos dias em Blackwell. Seus pais, Sam e Julianne lutam com o medo de que quando eles encontraram Erin, eles devem deixa-la ir, e a tensão esta mais elevada do que tem sido desde que Erin descobriu quem ela realmente era.

Finalmente com a garota que ele amou desde a infância, Weston torna-se mais desesperado com o passar dos dias de verão. Ele e Erin vão para faculdades diferentes. Seu maior medo é que isso signifique que eles vão seguir caminhos separados. Atormentado em fazer o melhor do tempo que lhe resta com Erin, e encontrar uma maneira de fazer isso durar, Weston se encontra em um estado de espírito diferente a cada hora. Ele está apenas começando a perceber que a esperança é como areia movediça.

Quanto mais Weston luta, mais rápido Erin afunda.

Quote:

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“Os fãs da história de Erin e Weston vão ficar felizes em ouvir que essa novella é o dobro do tamanho que os dois anteriores, e repleto de cenas emocionantes e perfeito para um desfecho satisfatório para essa série tão amanda.” – Jamie McGuire

Mesmo o terceiro livro sendo o dobro dos antecessores, a série é bem curtinha, e apesar do tema “pesado” que o livro aborda (o Bullying), a leitura flui muito fácil.

E em uma entrevista exclusiva com o nosso antigo blog (Travis and Abby), Jamie disse que já sofreu bullying quando criança e que para ela foi importante mostrar, através do livro, como uma pessoa ainda pode superar esse comportamento.

“Eu fui intimidada toda a minha infância, e eu sinto que em algum momento todos em suas vidas experimentam algum tipo de bullying. Foi importante para mim, mostrar como você pode ainda superar esse comportamento. Que você ainda pode ser uma pessoa adorável que ama a si mesma, em vez de tratar os outros mal, porque você estava sendo tratada assim, ou criticar a si mesmo, porque os outros são tão críticos a você. Espero que os leitores ao terminar Happenstance, deixem-se acreditar que eles são melhores do que a negatividade dos outros, e que não mereciam ser tratados mal e que o amanhã será melhor.” – Jamie McGuire

E uma linda-surpresa-curiosidade, é que a autora Abbi Glines teve uma pequena participação no desenvolvimento da história! Na época em que estava escrevendo o livro, Jamie postou em seu instagram uma foto da Abbi dizendo que a autora estava escrevendo uma cena em Happenstance 3!

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E nesse post “Especial: Happenstance 3”, trazemos o primeiro capítulo do livro. Confira:

IR PARA CASA, APAGAR AS LUZES E SE MATAR.

Minhas pálpebras estalaram bem abertas e meus olhos dançaram ao redor do quarto escuro. Preocupação, medo e pânico retornando quando as paredes brancas nuas do quarto do hospital entraram em foco. Os números macios verdes no visor da bomba IV lançavam um brilho estranho quando recordei os acontecimentos do dia anterior.

Os paramédicos carregando Weston, afastando-o em uma maca do banco dos reservas foi o momento mais assustador da minha vida. As partes mais assustadoras voltaram várias vezes na minha mente. O inalador caindo da sua mão mole, sirenes da ambulância correndo para o hospital — estavam todos juntos lotando minha cabeça.

Fechei os olhos, colocando a horrível recordação e os sentimentos de lado. Respirações rítmicas de Weston e os apitos dos bips nos monitores levaram a tensão embora. Ele estava vivo. Tudo ia ficar bem.

Meu corpo encostado ao seu, eu estava consciente de cada centímetro da minha pele tocando na dele, que sua camisola hospitalar não cobria. Ele estava tão quentinho debaixo do cobertor de linho grosso, que a enfermeira tinha nos dado. Eu deitada, embrulhada nos braços de um rapaz que me amava, meu quadril já reclamando de estar na mesma posição por muito tempo.

Toques de um nascer do sol já estavam escorregando entre as cortinas e espantaram as trevas. Weston se mexeu, e silenciosamente desejei que a noite tivesse demorado um pouco mais.

Veronica Gates estava lendo uma revista na cadeira malva estofada do outro lado do quarto. Juntamente com seus óculos preto de leitura com armação retangular, ela estava usando a lanterna em seu telefone celular para ver.

Levantei minha cabeça, o que a levou a olhar para cima.

“Bom dia”, ela sussurrou, quase inaudível.

Não querendo arriscar acordar Weston, a única coisa que eu poderia oferecer era um pequeno sorriso. Quando minha cabeça relaxou suavemente contra o peito de Weston, seus braços me apertaram, e ele respirou profundamente.

Verônica conseguiu soltar uma risada silenciosa, e então ela se mudou para a cadeira de madeira sentando mais perto para a cama.

“Ele costumava segurar seu ursinho assim. Se eu tentasse puxá-lo para fora de seus braços depois que ele adormecia, ele cerrava os punhos.”

Ela cruzou as pernas e entrelaçou os dedos, olhando seu filho com amor incondicional. “Ele veio para casa do primeiro ano e com naturalidade tocou no assunto, ele disse a Peter e a mim, ‘Eu vou me casar,’ disse ela, imitando a voz de Weston. Ela soltou uma risada novamente, perdida na memória.

“Peter perguntou-lhe: ‘Quando?’ Weston disse, ‘Daqui a um tempo’, e então eu lhe perguntei, ‘Com quem?’ Ele disse, ‘Erin’.” Ela olhava para a minha reação. “No momento, eu pensei que ele quis dizer Alder, mas então ele me fez prometer nunca te contar essa história, e percebi que tinha me enganado.”

Minha respiração falhou.

“Isso foi há muito tempo. Eu não acho que ele se importaria agora.” Ela olhou para baixo para Weston e depois de volta para mim. “Estou feliz que ele quis dizer que era você, Erin. Eu não acho que eu te disse isso.”

“Tenho sorte que ele não desiste facilmente,” eu sussurrei.

Weston agitou-se novamente, e Veronica inclinou-se para mais perto para olhar melhor seu filho. Ele gemeu. “Erin”?

Veronica levantou uma sobrancelha e depois atirou um olhar em minha direção.

“Estou aqui”, disse.

Com os olhos ainda fechados, inclinou-se para baixo um centímetro ou dois para passar os lábios no meu cabelo. O sol iluminou o quarto suficiente para ver o que as sombras tinham escondido apenas dez minutos antes.

Weston suspirou. “Ótimo. Não vá embora.”

“Não irei”, eu disse.

“Nesse caso, é melhor eu ir buscar para você um café da manhã,” disse Veronica, em pé.

“Bom dia!” a enfermeira disse, com a voz muito mais alta depois de Veronica ter sido tão cuidadosa sussurrando com a dela. “Eu sou Amélia. Como se sente?” Seu uniforme rosa brilhante combinando com seu humor.

Veronica assistiu-a do canto da sala enquanto pegava sua bolsa e as chaves de uma cadeira.

Amélia tinha um montinho de tranças longas e brilhantes torcidas em um belo coque redondo no topo da sua cabeça, acrescentando pelo menos dez centímetros à sua altura e forma redonda.

Weston piscou os olhos sonolentos. “Uau, eu apaguei.”

“São os remédios,” ela disse. “Vou verificar os sinais vitais e depois esperar Dr. Shuart chamar. Aposto que ele vai te liberar hoje.” Ela piscou e acenou pra eu me levantar.

Eu obedeci, levantando da cama.

Weston franziu a testa. “Não vá embora.”

Veronica abanou a cabeça, divertida. “Ela disse que ela ficaria, filho, meu Deus.”

Ele me olhava com desconfiança. Qualquer calor que a história da Veronica tinha deixado comigo rapidamente desapareceu.

“É a sua namorada?” Amélia perguntou a Weston, principalmente provocando-o.

Weston não tirava os olhos de mim, esperando que eu respondesse.

“Ouvi dizer que ela tinha dormido metade da noite naquele sofá horrível na sala de espera e o restante, esmagada em sua cama. As enfermeiras da noite acharam isso fofo. Minhas costas não estariam felizes comigo. Não, senhor.”

Amélia disse, sacudindo a cabeça com o pensamento.

A máquina de pressão arterial foi inflada e Weston estremeceu quando apertou. Amélia colocou um clipe no dedo dele e parecia feliz com os números que não fizeram sentido para mim.

“Tudo bem?” Verônica perguntou.

Amélia assentiu com a cabeça. “Como se nada tivesse acontecido.”

Veronica soltou um pequeno suspiro. “Ele pode tomar café da manhã?”

“Sem dúvida.” Entregou-lhe um menu plastificado. “Só me avise quando decidir se quer mingau de aveia ou os ovos gordurosos.”

Pela expressão de Weston, eu poderia dizer que as escolhas do menu não eram tão atraentes. Amélia saiu do quarto tão rapidamente como entrou, incitando Veronica a deslizar sua alça da bolsa por cima do ombro.

“Eu só vou pegar alguma coisa para todos nós. Eu vou descer ao Braum’s para biscoitos e molhos.”

Weston animou-se.

“Eu vou com você”, eu disse.

“Não, você deve ficar”, disse Weston.

Veronica caminhou alguns passos para beijar a bochecha do filho e depois agarrou as chaves. “Vou ligar para o seu pai e avisa-lo que você está acordado”. Os olhos dela caíram sobre mim. “Você vem?”

Pela expressão de Weston, eu podia ver que ele queria aproveitar a oportunidade para falar a sós. Olhei para Veronica e assenti com a cabeça.

“Certifique-se de me ligar, se o Dr. Shuart vier,” ela disse.

“É claro”, eu disse.

Ela entrou no corredor, olhou para os dois lados e então virou à esquerda em direção os elevadores. Sua voz mal podia ser ouvida quando cumprimentou as mulheres no posto de enfermagem, e poucos momentos depois, o elevador tocou, sinalizando a sua chegada ao andar.

Fiquei no canto onde tinha ficado a enfermeira, observando quando Weston colocou um pulso atrás de sua cabeça com uma expressão indecifrável no rosto.

“Biscoitos e molho parecem muito bom.” Na mesma hora, meu estômago roncou, e toquei na minha camisa branca com as duas mãos.

“Você ficou aqui toda a noite,” ele disse, não era uma pergunta.

Eu assenti com a cabeça e cruzei meus braços sobre minha cintura, imaginando o que ele queria dizer que tinha de esperar até sua mãe sair.

Ele olhou para baixo em direção aos pés, perdido em pensamentos. “Você pode mentir para mim. Eu não vou culpar você.”

“O quê?” Eu perguntei.

A tristeza profunda tocou os seus olhos. “Falei sério. Mesmo se partir para Stillwater, amar OSU, e nunca voltar, as minhas memórias das próximas poucas semanas não significarão outro tanto se não estiver nelas. Não quero que você faça promessas que não possa cumprir, Erin… mas agora mesmo, posso dizer que estaria de acordo com uma mentira. Minta para mim. Vamos fazer esse lance de baile de formatura, comemorar a formatura como pessoas loucas e ter o melhor Verão de todos os tempos. Bem, vamos subir nessa montanha russa, nos divertir e fingir que isso nunca vai terminar.”

“Ainda improvisando?”

Um canto da minha boca se puxou para cima, mas o maxilar tenso.

“Não,” ele disse. “Você sempre foi o plano. Sempre será você.”

Eu me dirigi a sua cabeceira e inclinei para baixo. Parando apenas brevemente dos seus lábios, procurei seus olhos para uma promessa ou um sinal de que ele de alguma forma pudesse ver o futuro. Os dedos dele agarraram meus braços quando ele puxou-me os poucos centímetros para tocar sua boca à minha.

Um dia, ele me deixaria ir, mas não naquele momento. Dezoito anos, com uma vida inteira pela frente, ele estava me pedindo para perder-me na última cena da minha adolescência, me perder em algum lugar no verão para nós. Eu já estive à deriva toda a minha vida, e o que ele estava me pedindo agora era particularmente assustador.

Embora, quando Weston dizia coisas assim, o que eu sempre queria era não pensar em nada.

“Babe?” ele sussurrou, procurando os meus olhos. O bip no monitor detectou um pouquinho de alteração.

Se for ingenuidade ou uma esperança tola pensar que éramos o tipo de pessoas que viviam nesse universo paralelo onde o amor colegial poderia durar, eu só não queria acreditar. Eu queria confiar nele, mesmo que fosse apenas até Agosto.

“Tá certo”, eu disse.

Oferecendo apenas um meio sorriso em resposta, a palma de sua mão se estabeleceu na parte de trás do meu cabelo desarrumado, e me puxou para perto até que seus lábios tocaram os meus. Sua língua entrou na minha boca — dançando com a minha, lento e doce — quando ele selou a promessa que acabamos de fazer, e então ele me puxou para a cama.

Seu nariz encostou contra meu pescoço, e riu, imune a qualquer um que pudesse ouvir. Ele estava me segurando de perto e estava relaxado, aliviado e talvez ainda sentindo os efeitos da sedação.

Uma batida na porta nos fez parar, e então eu me virei para ver o Dr. Shuart ali, sob um casaco branco e blusa de lã com gola.

“E como o Sr. Gates está nesta manhã?” ele perguntou, andando com uma enfermeira. “Vou dar um palpite e dizer que você está muito bem.”

Meu rosto ficou vermelho mais uma vez, eu me encolhi de volta para a cadeira no canto. Weston não ficou incomodado. Ele tinha um sorriso no rosto.

“Esta é Dacia,” disse Dr. Shuart virando um pouco o ombro na direção dela.

Dacia acenou para mim e sorriu como uma saudação para Weston. Então, ela voltou a rabiscar no fichário aberto que ela segurava. “Weston é nosso último paciente, doutor. Você tem dez minutos para voltar para o consultório antes da sua primeira consulta, então não pare lá em baixo para conversar, vá direto,” ela disse em um tom maternal.

Dr. Shuart virou as costas para ela e levantou as sobrancelhas uma vez. “Ela é o capataz do chicote. Me mantém na linha.”

“Alguém tem que ser”, ela murmurou, continuando a escrever.

Eu sentei na cadeira estofada, retirando meu telefone e mando um texto para Veronica, enquanto Dr. Shuart conversava com Weston. Eles discutiram as suas prescrições e Dr. Shuart explicou que Weston precisaria de um tratamento mais exercícios de respiração antes de sua alta.

O médico e Dacia disseram-me adeus antes de sair do quarto e meu telefone tocou.

“Sua mãe quer que eu peça ao médico para voltar em 15 minutos,” eu disse. “Aparentemente, a fila de drive-thru é excepcionalmente longa.”

“Ela disse isso?” Weston, perguntou duvidoso.

“Ela poderia ter dito, ‘a maldita fila’.”

“Não acho que Dacia vai aceitar.”

“Eu acho que você tem razão,” eu disse, enchendo meu bolso de trás com meu celular. Olhei para meu relógio.

“Você vai trabalhar hoje?” Weston perguntou.

“Cabeleireira com Julianne. Mas eu vou cancelar.”

“Você já cancelou uma vez. Vá em frente. Não quero você me olhando naquele estúpido nebulizador, enfim. Eu vou me sentir ridículo.”

“É só daqui a uma hora. Estou ansiosa para os biscoitos e molhos.”

“Tem medo que minha mãe vá ficar puta com você me deixando aqui sozinho, não é?” Ele sorriu.

“Isso também.”

Meu telefone tocou novamente. Puxei do meu bolso, li a mensagem e então deixei o telefone no meu colo.

“Quem era?” Weston pediu.

“Julianne, lembrando-me sobre o compromisso.”

Verônica entrou com dois sacos plástico, exasperada. Levantei-me para ajudá-la, mas meu celular caiu no chão.

“Uh-oh!” Veronica disse.

Virei e suspirei de alívio quando eu vi que a tela ainda estava intacta. Dei um passo em direção a Veronica, mas ela me enxotou, então sentei na cama com Weston. Ela entregou a cada um de nós um recipiente de isopor com uma tampa fechada e um pacote repleto de talheres de plástico e um guardanapo.

Uma vez que a tampa estava aberta e com um garfo na mão, Weston atacou, voraz. Eu me esforcei com a faca de plástico, quando tentei cortar os biscoitos, então levei o dobro de tempo para terminar, mas não me importei.

O molho era cremoso e apimentado e meu paladar estava cantando louvores aos deuses da culinária do sul, e em quem tinha pensado e aperfeiçoado a combinação de gordura, farinha e leite.

Veronica levou nossos recipientes vazios e eles lotaram a lata de lixo pequena ao lado da porta.

Peguei minha carteira e telefone.

“Você está indo embora?” ela perguntou.

Weston respondeu por mim, “Ela tem uma hora no cabeleireiro com Julianne. Eu não a deixaria cancelar.”

“Claro que não”, disse Veronica. “Criei você”.

Eu ri e comecei a andar para a porta, mas Weston inflou sua bochecha. Apressei-me para dar-lhe um beijinho, mas ele se virou e me beijou na boca, delicadamente segurando meu pulso para que eu continuasse lá por um tempo.

Pela segunda vez naquela manhã, minhas bochechas queimaram com embaraço. Meus olhos não fixaram em Veronica quando saí.

Quando dobrei a esquina, a Verônica repreendeu seu filho, “Você a convidou, né?”

Eu fiz uma pausa e então pressionei contra a parede do lado de fora. Estava quieto por alguns segundos, e depois fiquei tensa para ouvir a resposta de Weston.

“Eu já a convidei, mãe.”

“É oficial?”

“Sim, nós vamos ao baile.”

“E?”

“Não sei. Não me pergunte sobre Erin, mamãe. É esquisito”. Depois de uma pausa curta, continuou,

“Ouvi você contar, a propósito.”

“A história do ursinho de pelúcia? Sinto muito. Não consegui evitar.”

“E a outra.”

“Sobre você se referindo a ela como sua futura noiva?”

Veronica murmurou alguma coisa.

Em seguida, Weston falou novamente, “Está tudo bem. Estou feliz que ela saiba.”

“Então, foi isso mesmo. Você quis dizer Easter.”

“Este não é mais o nome dela mãe, mas sim é ela.”

Eu ouvi a cama ranger.

“Espero que saiba o que está fazendo, filho.”

“Pare”, advertiu Weston.

“Não quero que nenhum de vocês se machuque,” ela disse sinceramente.

“Só vou aguentar até ela ir, mãe. Isso é tudo que posso fazer.”

Veronica não respondeu, então fui em direção ao elevador, tentando não tropeçar em suas palavras no caminho.

E aqui acaba nosso Especial: Happenstance. Em breve voltaremos com um novo especial de mais um livro da Jamie. Esperamos que tenham gostado e que peçam MUITO para que a Verus Editora publique essa série no Brasil. Afinal, Jamie McGuire vai além dos irmãos Maddox.

Postado por Bianca Maddox Especial: Happenstance parte 2

Com o intuito de que os fãs conheçam outros livros da Jamie McGuire (além da série dos Irmãos Maddox), no ano passado o site deu inicio a um especial onde “apresentaremos” os demais livros da autora. Começamos com o primeiro livro da trilogia Happenstance, onde os três receberam o mesmo título, com o diferencial de: Happenstance parte 1, parte 2 e parte 3Hoje, nós iremos apresentar Happenstance 2.

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Sinopse:

Erin Easter agora era Erin Alderman, porque Erin Alderman estava morta.

Na segunda parte desta série USA Today bestselling, acompanhamos a protagonista Erin, uma colegial na pequena Blackwell, Oklahoma. Depois de um terrível acidente que deixou duas colegas mortas, Erin descobre que ela foi trocada ao nascer. Pouco depois, ela se muda para a casa de seus verdadeiros pais, Sam e Julianne Alderman, transformando Erin do dia pra noite da desclassificada da Blackwell High School, para a única filha de um dos casais mais ricos da cidade.

Erin também está sendo correspondida por sua paixão de infância, Weston Gates, o sonho que ela teve um dia agora era realidade.

Mas quando Erin se depara com segredos que lhe dão as respostas que ela está procurando, ela também descobre uma verdade que ela nunca quis saber.

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O livro, apesar de ser um “jovem adulto” bem curtinho e com uma história tão fofa, aborda um tema muito polêmico: o Bullying. E em uma entrevista exclusiva com o nosso antigo blog (Travis and Abby), Jamie disse que já sofreu bullying quando criança e que para ela foi importante mostrar, através do livro, como uma pessoa ainda pode superar esse comportamento.

“Eu fui intimidada toda a minha infância, e eu sinto que em algum momento todos em suas vidas experimentam algum tipo de bullying. Foi importante para mim, mostrar como você pode ainda superar esse comportamento. Que você ainda pode ser uma pessoa adorável que ama a si mesma, em vez de tratar os outros mal, porque você estava sendo tratada assim, ou criticar a si mesmo, porque os outros são tão críticos a você. Espero que os leitores ao terminar Happenstance, deixem-se acreditar que eles são melhores do que a negatividade dos outros, e que não mereciam ser tratados mal e que o amanhã será melhor.” – Jamie McGuire

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E nesse post “Especial: Happenstance 2”, trazemos o primeiro capítulo do livro. Confira:

Mesmo a luz estando apagada e a porta fechada, algo estava me atraindo para o quarto da Alder. Eu estava morando com meus pais verdadeiros há três semanas e nunca tinha visto a porta da Alder aberta, mas cada vez que eu passava pela madeira pintada de branco com as letras em madeira no tom pastel que se soletravam ERIN, algo dentro de mim dizia-me para abri-la.

Eu não vou, eu prometi.

Na minha segunda noite nos Alderman’s, Julianne sentou-se em minha cama queen-size e folheou catálogos de edredons, papéis de parede e roupas. Ela me pediu para marcar tudo que eu gostasse e deve ter comprado tudo, porque caixas chegavam quase todos os dias. 

A campainha tocou, e eu corri para baixo nas escadas de madeira, tentando não fazer muito barulho, mesmo sabendo que Sam e Julianne estavam acordados e na cozinha.

Depois de desviar das caixas, abri a porta, sorri, quando vi Weston balançar a cabeça para o lado para afastar sua franja de seu rosto. Seu cabelo ainda estava molhado, e seus olhos estavam um pouco inchados. Nós tínhamos ficado acordados até tarde no telefone ontem à noite.

— Pelo cheiro parece que eles estão tentando atraí-la para a cozinha novamente. — Weston disse, inclinando-se para me dar um selinho.

— Bom dia. — Eu disse quando ele se afastou.

Os olhos dele foram para o chão, percorrendo as caixas de tamanhos diferentes. — Mais coisas?

— Mais coisas. — Eu disse, olhando admirada para as caixas empoeiradas.

— Weston! —  Julianne chamou. — Tem um prato com um montão de bacon aqui!

Ele passou por mim, pegando minha mão no caminho. Nós andamos pelo corredor levemente colorido e viramos para a direita, sob uma porta com um arco. Julianne gostava de cores claras e muita luz natural, o que fazia sentido, porque ela incorporava a luz do sol. Toda a casa era decorada, principalmente na cor branca ou em tons de branco, azul claro e finas cortinas.

No fogão tinha uma panela cheia de molho de pimenta branca. E como prometido, ao lado da ilha de granito, um prato cheio de bacon crocante.

— Está com fome? — Julianne perguntou, alegremente. Ela estava vestindo um avental xadrez azul e amarelo sobre seu suéter angorá rosa e calça jeans. Seus cabelos castanho-avermelhados saltaram e brilharam como sempre faziam.

Weston olhou para mim com seus grandes olhos verde esmeralda, porque ela não estava falando com ele.

— Sinto muito. — Eu me encolhi. Odiava desapontá-la, mas eu nunca tinha tomado café da manhã pelo que me lembrava, e parecia estranho comer de manhã. Gina não cozinhava para mim desde que eu tive idade o suficiente para fazer um sanduíche, dormir e ir a pé para a escola era uma prioridade ao invés de preparar ovos, mesmo que Gina algum dia tivesse se incomodado em colocar alimentos para o café da manhã nos armários ou geladeira, o que ela não tinha.

Julianne deu de ombros, tentando suavizar. — Apenas pegue algumas fatias para levar, querida.

— Você fez… Biscoitos e molho de carne? — Weston perguntou, levantando seu queixo sentindo o cheiro saboroso.

— E salsicha. — Julianne disse, com seus olhos brilhando novamente.

Weston olhou para mim e depois para o relógio dele. — Temos tempo.

Deixei minha mochila verde novinha em folha cair suavemente no chão, peguei um banquinho no bar que estava na ilha. — Sim, nós temos.

Julianne se virou, pegou dois biscoitos da assadeira de alumínio, depois os cortou ao meio. Com uma concha pequena, os mergulhou no molho.

Weston engoliu, já salivando.

— Sua mãe não faz café da manhã? — Eu perguntei.

— Às vezes. — Weston disse. — Mas ela não cozinha tão bem como Julianne. Não sei se alguém o faz.

— Aw,  —  disse Julianne. — Elogios levarão você a todos os lugares nesta casa.

Eu me contorci no meu lugar. Ocorreu-me que não era a primeira vez que Weston tinha se sentado na cozinha com Julianne e comido da sua comida com sua filha. Mas era uma filha diferente.

— Ele tem razão, querida. — Sam disse. — Você é uma cozinheira fantástica, e eu sou um homem de sorte. — Ele pegou alguns bacons e beijou Julianne na bochecha. — Se tudo correr bem, vou estar em casa por volta das oito da noite. Eu tenho um caso até tarde.

Julianne assentiu com a cabeça e se inclinou, oferecendo sua bochecha para seus lábios.

Sam andou até mim, inclinou-se e beijou meu cabelo. — Tenha um bom dia, mocinha. — Ele fez uma pausa. — Você trabalha hoje à noite?

Balancei a cabeça. — Eu costumo trabalhar todos os dias, das quatro as oito.

— É demais. — Julianne disse triste.

Sam acenou com a cabeça para Weston. — Você vai buscá-la?

Weston assentiu.

— Posso te pegar no trabalho amanhã? — Sam ergueu seus óculos, me olhando ansiosamente com os olhos naturalmente inchados.

Eu olhei de relance para Weston e então assenti.

Sam encolheu os ombros. — Eu gostaria de levá-la para tomar sorvete.

Todos na cozinha olharam para ele.

— Estou brincando. — Ele disse rindo. — Eu pensei que talvez pudéssemos jantar mais tarde?

Ele olhou para sua esposa para ter a aprovação.

— Claro. — Eu disse um pouco surpresa.

Ele apertou meu ombro e depois pegou seu casaco, correndo pelo
corredor em direção á porta dos fundos que levava para a garagem.

— Sam? — Julianne o chamou. — Sua bolsa! — Ela piscou para mim.

Sam correu e pegou uma mala de couro marrom. — Não é uma bolsa! — Ele disse, exasperado. Ele desapareceu de novo. Segundos depois a porta dos fundos bateu atrás dele.

Um zumbido baixo soou, sinalizando a porta da garagem.

Julianne afastou sua franja de seus olhos. — Eu tenho que cortar o cabelo. Isso está me enlouquecendo.

Ela olhou para mim com entusiasmo em seus olhos. — Você quer ir?

Olhei para o meu cabelo, a cor é praticamente idêntica aos cabelos castanho-avermelhados da Julianne, menos suas luzes. Eu o tinha trançado porque ainda estava um pouco úmido do meu banho na noite anterior. Na maioria das vezes eu o prendia em um coque ou rabo de cavalo para não atrapalhar. Gina o cortou algumas vezes quando eu estava na escola primária. A única vez que tentei cortá-lo sozinha estava no 9º ano, e foi uma falha épica, então só tinha deixado crescer. Agora, as pontas se penduravam bem no meio das minhas costas.

Weston olhou para mim.

— Uh, claro. — Eu disse.

— Quão curto? — Weston perguntou com uma careta.

— Tão curto quanto ela quiser. — Julianne disse, meio brincando.

— Só estou perguntando. — Disse Weston, levantando suas mãos.

— Vou ligar e marcar uma hora. Qual é o melhor horário?

Dei de ombros. — Sábado de manhã?

— Vou marcar nesse período. —  ela disse, enxaguando uma frigideira.

Weston colocou o último pedaço de biscoito na boca. — Obrigado, Julianne. Mas é melhor irmos também.

— É claro. Eu vou desempacotar as suas coisas, Erin. Você pode colocá-las onde quiser esta noite.

— Está bem. Obrigada. — Eu disse, deslizando meus braços pelas alças da minha mochila. — Até mais tarde.

— Eu… Tenha um bom dia, sweetie.

— Você também. — Eu disse, seguindo Weston até a porta da frente.

Sua enorme caminhonete Chevy vermelha estava estacionada na calçada em frente de casa, com o motor ligado. A pintura parecia recémencerada, e os pneus brilhando.

— Passou algum tempo na caminhonete ontem?

— Estou entediado desde que se mudou para cá. Compartilhar você é mais difícil do que parece.

— E o que você fazia antes de mim? — Eu perguntei.

Eu estava o provocando, mas Weston fez uma cara estranha. Ele passava seu tempo com a Alder e os seus amigos. Ele não precisava ficar longe para respeitar a necessidade de Sam e Julianne para conhecerem sua filha. Agora que Alder tinha ido embora e ele não saía com os mesmos amigos, ele provavelmente tenha ficado um pouco perdido enquanto eu estava com Sam e Julianne.

Weston abriu a porta do passageiro para mim. — Praticamente a mesma coisa. Desejando passar mais tempo com você.

Não tinha certeza se ele estava brincando ou não. Ele não sorriu.

Entrei, e Weston correu para o assento do motorista. Assim que sentou atrás do volante, estendeu a mão para a minha. Quando eu a peguei, ele puxou meus dedos.

— O quê? — Eu perguntei.

 — Vem cá.  —  ele disse, gesticulando para que eu me sentasse ao lado dele.

Aproximei-me e prendi o cinto. Ele puxou seu cinto através de seu peito. Travou, e colocou o câmbio na unidade Drive 1 . Com o braço descansando na parte superior do assento atrás de mim, ele dirigiu para a escola com uma mão.

Ele provavelmente tinha dirigido bastante com uma mão enquanto estava com a Alder.

Eu me encolhi, internamente. Esses pensamentos tinham que parar, ou eu me faria sentir miserável.

Quando estacionamos na vaga de estudante e andamos juntos para o lado sul do edifício, menos pessoas estavam nos olhando comparado á semana anterior.

Ainda não me sentia confortável em dar as mãos na escola, mas às vezes, Weston me deixava levar.

O primeiro período foi tranquilo á respeito de que ninguém ficava me atormentando, o que havia se tornado o novo normal. Brady ainda atirava olhares em minha direção, mas ele parecia mais curioso do que irritado.

Sra. Merit começou a aula assim que o sinal tocou e deu a maior parte de seus slides na lousa digital quando Sara Glenn inclinou-se.

 — Qual é a do colar? — Ela perguntou.

 — Garotas tendem a usar joias de vez em quando. — Eu disse.

Ela não foi dissuadida. — Weston deve ter dado a você. Você esta o usando todos os dias a quase um mês.

Eu a ignorei. Não achei necessário responder.

 — Chrissy North disse que você se mudou para o quarto da Alder. Ele está assombrado?

 — Não, e não.

 — Brendan disse que Weston disse que vocês já transaram na cama dela.

Eu estreitei meus olhos para ela.  — Weston não diria isso.

 — Então é verdade?

 — Isso é nojento.

Sua sobrancelha se arqueou.  — Sexo com Weston é nojento?

Meu peito se pressionou contra a mesa quando me inclinei em sua direção.  — Você não se cansa de ouvir e espalhar fofocas Sara? Não é cansativo, ou isso é realmente tudo o que você precisa para se sentir importante?

 — Senhoritas? — Sra. Merit disse.

Eu sentei na minha cadeira e olhei para o meu livro, colocando minhas mãos no meu colo, assim Sara não podia vê-las tremendo. Uma decepção pesada veio até mim por ter a atacado. O que havia de errado comigo? Eu estava acima disso. Isso também não podia mudar.

Sra. Merit leu o texto, e eu comecei a responder as vinte e duas questões do capítulo final.

Sara não falou comigo novamente, e garanti que as minhas coisas estivessem guardadas dez segundos antes do sinal tocar para que eu pudesse sair depressa.

Weston me encontrou no meu armário. Ele sentiu que algo estava errado.  — Brady disse alguma coisa pra você?

Eu balancei minha cabeça.

 — Brendan? Micah? Foi Andrew, não foi? Aquele merdinha…

 — Não. Ninguém disse nada. — Eu falei, guardando o livro de bio no meu armário e pegando meu livro para a próxima aula.

Weston pegou meu queixo delicadamente em sua mão e virou-me para olhá-lo.  — Me diga.

Fechei os olhos.  — Estão dizendo coisas horríveis. — Eu balancei minha cabeça.  — Horríveis.

 — Como o quê? — Sua mão esquerda estava no meu queixo, e as suas sobrancelhas juntas.

 — Não quero dizer. Eu não posso… É horrível.

 — Que transamos na cama da Alder? — Ele perguntou.

Eu olhei para ele.  — Você já ouviu falar?

 — Na semana passada. Estou realmente surpreso, que esta seja a primeira vez que ouviu isso.”

 — Me desculpe. Eu…

Weston ficou vermelho de raiva, mas isso não era dirigido a mim.  — Não se desculpe por eles, Erin. Tenha pena deles. Isso é tão contraditório e… — Suas palavras foram sumindo. — Quem teve essa ideia estava débil o suficiente para falar para mais alguém e essa pessoa tem mais problemas do que fofocas. Você não pode evitar o que pensam ou dizem.

 — Eu sei. Não me importo com o que pensam de mim. Mas isso é apenas… Não quero que chegue até Sam ou Julianne.

 — Eu já contei a eles. E eles sabem que nunca iríamos desrespeitá-los assim.

Minha boca caiu aberta.  — Você disse a eles? Como pôde dizer isso a eles?

 — É uma cidade pequena, Erin. É preferível que eles ouçam de nós, não é?

 — Mas eles não ouviram isso de nós. Eles ouviram de você. Por que você não me disse?

Quanto mais agitada eu ficava, mais nervoso Weston estava. Ele engoliu, e seu rosto caiu.  — Você já sofreu bastante.

 — Por favor, não me olhe desse jeito.

 — De que jeito?

 — Esse olhar… Oh coitadinha. Eu tenho o bastante disso.

 — Erin. — Weston começou, mas o sinal tocou.

 — Droga! — Eu disse. Peguei minhas coisas e bati meu armário, segui meio andando, meio correndo para a minha próxima aula.

A segunda e a terceira aula foram um borrão. O olhar no rosto de Julianne quando Weston dissera-lhe qual era o mais recente rumor era a única coisa que minha mente podia pensar. Weston me encontrou no meu armário entre as aulas, esperando que eu falasse primeiro. Quando eu não falei, ele me deixou ir embora.

Ele estava no meu armário novamente antes do almoço, mas eu fui direto para o refeitório e comi sozinha. Os outros alunos observavam cada mordida minha. Eu não podia ganhar essa batalha. Eles encaravam quando Weston e eu estávamos juntos, e quando não estávamos. A atenção foi significativamente menos negativa do que antes do acidente, apenas curiosidade, mas ainda era uma atenção que eu não queria.

Quando chegou a aula de saúde, o peso era demais, e as minhas emoções estavam à flor da pele.

O Treinador Morris distribuiu um caça palavras e sentou-se colocando seus pés em sua mesa. Tive que estudar, perfeitamente ciente que Weston estava olhando para minha nuca. Eu pude ouvi-lo vasculhar sua mochila e depois dar uma inalada em sua bombinha. Sua mesa rangeu algumas vezes enquanto ele fazia várias tentativas para ficar confortável.

Seus dedos quentes tocaram minhas costas entre minhas omoplatas, tão suavemente, que eu pensei que tivesse imaginado isso.

Ele abafou um sussurro.  — Por favor, fale comigo.

Eu inclinei minha cabeça em direção a meu ombro, mas não virei.  — Não sei o que dizer.

 — Diz que sou um idiota por falar com seus pais sem falar com você primeiro, e depois diz que não me odeia.

 — Eu não te odeio.

Os dedos dele deixaram minha camisa, e eu o ouvi respirar baixinho.

Espiei através da minha sobrancelha e vi o treinador Morris tentando não olhar. Após uma rápida análise periférica, era evidente que o treinador não era o único que tinha notado essa conversa silenciosa entre mim e Weston.

Senti um peso em meu peito. Passaram-se semanas desde que eu tinha lutado contra a vontade de chorar, mas as paredes levantaram-se como velhas amigas. E eu levei meus pensamentos para quantas bolas de sorvete de coco devo colocar em um Blizzard Havaiano, e quantas caixas de copos, colheres ou guardanapos temos no estoque, depois que o caminhão de suprimentos veio. Imaginei-me dobrando panos desgastados e brancos e contando-os como eu já havia feito. Estar dentro do Dairy Queen sempre foi reconfortante pra mim. Não só o trabalho mantinha minha mente ocupada, mas como também era onde passava um tempo com a minha melhor amiga, Frankie. E não importava com quantas pessoas me deparava frente a frente, à janela sempre estava entre nós.

O sinal tocou, mas me perdi dentro das paredes do DQ. Weston levantou e parou na minha mesa, mas quando eu não olhei pra cima, ele continuou andando. Logo eu percebi que eu era a única pessoa na sala, ou foi o que pensei.

 — Hey, — disse uma voz.

Olhei para cima. Era Brady Beck.  — Você está realmente morando com os Alderman’s agora?

Recolhi minhas coisas e levantei, mas Brady ficou no meu caminho.

 — Aposto que se preocupam o tempo todo se você está os roubando. Você pode ser de sangue, mas foi criada por uma drogada.

Eu apenas olhei para ele, recusando-me a responder.

Ele me olhou de cima em baixo, seus olhos ainda presunçosos de superioridade.  — Weston já admitiu porque de repente ele está tão interessado em você?

Permaneci em silêncio.

 — Talvez você devesse perguntar a ele. — E ele foi embora.

As marmorizações brancas falsa no ladrilho vermelho do corredor pareciam pequenas cobras albinas deslizando em diferentes direções, principalmente junto das grandes janelas de vidro que ladeavam a parede sul das áreas comuns. As cadeiras que contornavam as meia dúzias de mesas que normalmente ficam cheias para o almoço estavam vazias, eu contornei a esfera de vidro no centro da escola que era a biblioteca, e decidi abrir mão do meu armário e ir direto para o espanhol, minha próxima aula.

Srta. Alcorn cumprimentou-me, quando entrei. Eu era a primeira aluna na sala, e provavelmente a única sem meu livro.

 — Eu esqueci em casa. — Eu lhe disse, evitando responder mais tarde, na frente de todos.

 — Não se esqueça de trazê-lo amanhã. Você definitivamente precisará dele.

Eu assenti e então tentei esfregar meu pescoço retirando os nós. Nem dez minutos na sala, Micah Norton arrancou um pequeno pedaço de papel de caderno e jogou na minha mesa vazia.

 — Weston já te deu o fora? Ele está grudado em sua cintura, e não vi vocês juntos o dia todo.

Eu não me virei.

 — Easter, — ele sussurrou.

Foi a primeira vez que alguém tinha me chamado assim desde que a notícia se espalhou que eu não era filha de Gina. Parecia depreciativo. Sempre pareceu.

Eu ainda não tinha virado. Micah não tinha os amigos lá para encorajálo a me intimidar, então se eu o ignorasse, geralmente ele desistiria. Havia três tipos de valentões: aqueles como Sara que estava mais para passivo-agressivo do que qualquer outra coisa, e geralmente só faziam quando estavam tendo um dia ruim. Outros, como Micah ou Andrew, que só me magoavam quando havia outras pessoas participando, e então os valentões como Brady e Brendan, que não se importava em quem estava por perto. Quando eles decidiam atacar alguém, o tormento não parava até que eles de alguma forma haviam destruído sua presa.

Eu tinha lido vários livros e artigos sobre bullying, e como as meninas geralmente atacavam umas as outras, mas na minha escola, os garotos eram os piores. Eles apreciavam o poder que vinha com a intimidação. Muitas vezes o nível e a extensão de crueldade dependiam de quantos se juntariam ao ataque. Ninguém estava a salvo. Era aleatório e sempre súbito e cruel. A melhor proteção era a amizade com os valentões e participar. O ciclo era vicioso e previsível, o único remédio era a formatura, e eu sabia que eu era apenas uma de muitos desesperados para o último dia de aula.

Minha indiferença, junto com a política de tolerância zero da Srta Alcorn sobre intimidação, provavelmente, foram os dois fatores que fez Micah desistir rapidamente. Um alívio familiar veio, mas também era inquietante. Me senti fora de forma, mesmo que depois de apenas algumas semanas de não me sentir tão protegida. Felizmente, Micah me deixou em paz pelo resto da aula.

Quando eu vi Weston na aula de arte, ele estava uma pilha de nervos. Ele se sentou no seu banquinho que tinha colocado na minha mesa, seu joelho estava balançando pra cima e pra baixo de ansiedade.

 — Por que você está me evitando? — Ele deixou escapar.

 — Eu não estou. — Eu disse, mantendo minha voz baixa, esperando que ele fizesse o mesmo.

Sra. Cup invadiu a sala, rapidamente para nos ameaçar se fossemos a qualquer lugar diferente do que direto para a velha pizzaria que fica ao lado do mural do qual tínhamos trabalhado.

 — Quem não tem uma carona? — Sra. Cup perguntou.

Weston me olhou com preocupação.

Apenas dois alunos levantaram a mão.

 — Vocês podem ir comigo, ou podem pegar uma carona com outra pessoa. Preciso saber agora. — Sra. Cup disse, esperando os dois estudantes se decidirem.

Weston não tirava seus olhos dos meus.  — Posso levá-la?

Indo para o estacionamento, Weston ofereceu sua mão, testando as águas. As únicas pessoas do lado de fora eram os outros estudantes de arte e Sra. Cup, então foi menos constrangedor do que antes ou depois da escola, Mas eu podia sentir a tensão irradiando dos seus dedos no momento em que nos tocamos.

Assim que a porta bateu, ele respirou.  — Me desculpe, Erin. Eu pensei que tivesse fazendo a coisa certa. Eu estava tentando protegê-la. Agora percebo que foi estúpido falar com eles sem falar com você primeiro. — Ele esperou que eu respondesse, claramente se preparando para um argumento.

 — Eu vou superar. — Eu não estava com raiva. Eu não sabia o que eu estava sentindo, mas foi estranho ter alguém tão… arrependido por mim.

Uma linha se formou entre suas sobrancelhas, ele virou o rosto pra frente, golpeando o câmbio para colocar em marcha ré. Ele estava infeliz com a minha resposta e quieto, perdido em seus pensamentos enquanto dirigia para o terreno baldio da antiga pizzaria. Todo mundo já estava em pé em frente á parede de tijolos, pegando os materiais e preparados, quando ele parou no estacionamento.

 — Isso é novo para mim também, Erin. — Weston disse.  — Eu não me importava se a Alder me desse o fora. Não me preocupava todas as noites para qual faculdade ela iria, talvez eu nunca mais a veria novamente. Todas essas coisas bizarras, horríveis e incríveis estão acontecendo com você, e seria totalmente compreensível se você dissesse que não teria tempo para fazer isto dar certo comigo… e eu sou louco por você, Erin. Você tem alguma ideia do quanto isso me assusta?

 — Você quer falar sobre estar assustada? Você já sabia que a minha mãe é uma boa cozinheira, porque você já namorou a filha dela. Provavelmente já fizeram sexo no quarto onde eu durmo. Você conhece a minha casa e meus pais melhor do que eu. Eu estou vivendo a vida de outra pessoa, Weston. Então me conte mais sobre como você tem medo de levar um fora.”

Eu ofeguei e cobri a minha boca. Ele expirou como se eu tivesse dado um soco no seu estômago.

 — Oh meu Deus, sinto muito por dizer isso. — Minhas mãos abafaram minhas palavras estridentes.

Ele balançou a cabeça, esfregando o dedo indicador no lábio inferior. — Não há regras para isso. Eu posso ter merecido isso. Nem sei.

 — Ninguém merece isso. Seus sentimentos são tão importantes quanto os meus. Ambos já passamos por muita coisa. Me desculpe.  —  Eu disse,alcançando ele.

Ele desligou a caminhonete e virou-se para puxar a maçaneta da porta. Um surto de medo passou por mim.

A porta se abriu apenas alguns centímetros, e então ele fez uma pausa. Ele se virou e me envolveu em seus braços. As lágrimas que tinha guardado o dia todo finalmente escorreram pelo meu rosto.

Sra. Cup bateu na janela do lado do motorista, e nós dois viramos para ver o topo de sua cabeça. Weston abriu a sua porta.

 — Vamos lá, vocês dois. Vocês tem trabalho a fazer.

Limpei meus olhos com as mangas, acenando.

Quando descemos da caminhonete com nossas tintas e pincéis e caminhamos até a parede, vários pares de olhos nos encaravam.

Se tivesse sido qualquer outra pessoa, a detenção ou pelo menos uma repreensão severa teria sido aplicada. Havia algo sobre ser uma Alderman, ou um Gates, ou uma Masterson ou um Beck. As regras não parecem ser aplicadas às pessoas com esses sobrenomes. Não em Blackwell.

E aqui, mais um especial se acaba. Para quem ainda não leu o especial do primeiro livro de Happenstance, clique aqui. Em breve traremos a parte três dessa trilogia.

Postado por Bianca Maddox Especial: Happenstance

Happenstance é o primeiro livro de uma trilogia de Jamie McGuire onde os três livros receberam o mesmo título com o diferencial de, Happenstance parte 1, parte 2 e parte 3. Ele foi publicado nos Estados Unidos no mês de maio contendo um capítulo de Beautiful Oblivion (Bela Distração), que seria o próximo lançamento da autora. Confira a capa e a sinopse abaixo:

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Sinopse:

A #1 New York Times Bestseller, Jamie McGuireretorna em uma nova série nesse jovem adulto. O livro gira em torno deErin Easter, uma das três Erins na pequena classe do último ano da escola secundária na rural Blackwell High School, e elas não somente compartilham os nomes como também seus aniversários.

Erin Easter, criada por uma mãe solteira negligente, é reservada e admiraWeston Gatesde longe. As outrasErins, Erin “Alder” Alderman e Erin “Sonny” Masterson, são as queridinhas da comunidade: filhas das duas famílias mais ricas da cidade, as melhores amigas, as líderes de torcidas, e tudo que Erin Easter não é — e elas nunca deixam que ela se esqueça disso. Alder inclusive namora Weston desde a oitava série.

Westoné uma estrela do esporte muito querido, e filho de dois proeminentes advogados. Ele luta diariamente com as pressões da vida por carregar o sobrenome de sua família, e secretamente simpatiza com o sentimento de Easter de que ela pertence a outro lugar; a uma vida diferente. Só depois que ele começa secretamente a sair à noite com Easter ele ganha coragem para contrariar as expectativas e reconhecer seus sentimentos… tanto sobre o futuro quanto por ela.

Uma tragédia chocante abala a pequena cidade, e a vida de Easteré virada de cabeça para baixo da melhor forma possível. Mas quando a verdade é revelada e tudo o que ela pensa que ela queria cai em seu colo, à vida só se torna mais complicada.

O livro, apesar de ser um “jovem adulto” bem curtinho e com uma história tão fofa, aborda um tema muito polêmico: o Bullying. E em uma entrevista exclusiva com o blog Travis And Abby, Jamie disse que já sofreu bullying quando criança e que para ela foi importante mostrar, através do livro, como uma pessoa ainda pode superar esse comportamento.

“Eu fui intimidada toda a minha infância, e eu sinto que em algum momento todos em suas vidas experimentam algum tipo de bullying. Foi importante para mim, mostrar como você pode ainda superar esse comportamento. Que você ainda pode ser uma pessoa adorável que ama a si mesma, em vez de tratar os outros mal, porque você estava sendo tratada assim, ou criticar a si mesmo, porque os outros são tão críticos a você. Espero que os leitores ao terminar Happenstance, deixem-se acreditar que eles são melhores do que a negatividade dos outros, e que não mereciam ser tratados mal e que o amanhã será melhor.” – Jamie McGuire

E nesse post “Especial: Happenstance”, trazemos o primeiro capítulo do livro. Confira:

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“-Vá para casa. Apague as luzes. E se mate.Erin Alderman franziu a testa, puro ódio em seus lindos olhos castanhos mel. Ela conduzia um grupo de nove líderes de torcida do outro lado da pequena janela retangular. Mas o vidro não era a única coisa que nos separava.Nove pares de olhos dançavam entre elas e eu no meu avental preto sujo de milkshake de chocolate e calda de chocolate. Elas estavam gostando do show, mas nenhuma delas olhou diretamente para mim.

Erin Masterson, a melhor amiga e co-capitã do esquadrão cheer de Erin Alderman, estava segurando a Banana Split Blizzard que eu tinha acabado de fazer para ela com vingança em seus olhos. Ela era tão maravilhosamente bem arrumada como sua melhor amiga, mas em vez de um longo e esvoaçante cabelo dourado como o de sua amiga, ela tinha longos e esvoaçantes cabelos castanhos. “Eu disse com cobertura de nozes. Você tem uma simples tarefa: colocar o sorvete em uma tigela, copo ou cone, e misturar os ingredientes. Se você não pode fazer um trabalho de salário mínimo, em um Dairy Queen, aos dezessete anos, como você espera operar diariamente em sua vida adulta? Você deve desistir agora, Erin. Morrer com dignidade.”Erin Masterson não estava se referindo a sua melhor amiga. Ela estava falando comigo. Erin Easter, a terceira Erin em nossa classe no último ano. Elas não foram sempre minhas inimigas. No Jardim de infância e Primeiro grau, tentamos passar cada momento acordadas juntas: nossos pais e professores nos colocaram apelidos para evitar confusão. Erin Alderman era conhecida como Alder. Erin Masterson era Sonny. O meu nome era simples: Easter. Nós três não só compartilhávamos o mesmo nome, mas o mesmo dia de aniversário: primeiro de setembro. Elas iam para casa com seus pais, que eram membros do clube de campo e eventualmente chefes dos maçons e da associação de pais, e eu ia para casa com minha mãe, que tinha apenas 20 anos e não tinha ninguém para ajudá-la, nem sequer meu pai. Nossa amizade mudou drasticamente na quinta série, quando por razões que eu ainda não tenho certeza, me tornei o alvo favorito das Erins. Agora, em nosso último ano do ensino médio, eu acima de tudo tentei evitá-las, mas elas gostavam de me visitar no Dairy Queen onde trabalhava nos fins de semana e quase todos os dias depois da escola.

Eu puxei a janela deslizante e empurrei minha mão através dela. – Sinto muito. Dê-me isso e eu faço de novo.

Frankie me bateu para o lado com o quadril, arrancou o copo da mão de Sonny, tirou o grande pedaço de sorvete marrom com pedaços de amendoim e jogou no lixo. Ela colocou uma meia dúzia de nozes, e entregou-o de volta. “Eu não vou perder toda uma xícara de sorvete, porque sua mãe não te ensinou como lidar com desapontamento. Vá para o inferno” disse ela, sacudindo a cabeça para o lado. 

“Deixarei que minha mãe saiba como você se sente sobre a sua educação, Frances.” – Sonny cuspiu as palavras, assegurando de chamar Frankie pelo primeiro nome, o nome que ela odiava. “Tenho certeza que sua criação faz de você um especialista.”

Frankie sorriu educadamente. “Esse termo é para cães, Masterson. Ninguém além de sua mãe chama os seus filhos assim.” As Erins fuzilaram Frankie, e em seguida, toda as dez meninas se afastaram como uma única unidade.“Sinto muito” disse, olhando para as líderes de torcida alegremente andando do outro lado da rua, energizadas por seu confronto.
Frankie franziu o cenho e colocou a mão sobre a curva de seu quadril. “Por que você está se desculpando? Eu já lhe disse cem vezes, mas vou dizê-lo novamente. Deixa de ignorar os que fazem essas idiotas. Isso só torna pior. Ignorar não funciona com abusadores como eles. Acredite em mim, eu sei.” 

“Apenas mais três meses, embora” Eu disse, lavando o leite pegajoso e açúcar das minhas mãos.

Frankie suspirou e olhou para o teto com um grunhido. “Lembro-me da graduação. Uma das melhores noites da minha vida. Toda essa liberdade, apenas esperando para ser experimentada. Tudo estava na minha frente: verão, Universidade, ter vinte e um.” O olhar sonhador em seus olhos desapareceu, e ela limpou o balcão. “Uma noite com Shane foi o suficiente para fazê-la desaparecer. Sete anos mais tarde, eu estou no mesmo trabalho que eu tinha no colégio.” Ela balançou a cabeça e riu uma vez, esfregando um pedaço teimoso de chocolate seco do balcão. “Eu não trocaria meus filhos por nada no mundo, apesar de tudo.”Um dos cantos da minha boca levantou enquanto observava Frankie refletir sobre as decisões que a mantinham no Dairy Queen. Ela contava com a sorte de ter um emprego. A petroleira tinha se mudado, e todos os empregos bem remunerados foram junto com ela, assim um salário no Dairy Queen era tão bom quanto qualquer coisa em nossa cidade em crise. O telefone tocou, e Frankie atendeu. “Não, Keaton, não pode comer o pote de manteiga de amendoim. Porque eu disse. Se você está com fome, então come uma banana. Então você não está com fome! Eu disse que não, e é isso. Coloca a Nana no telefone. Oi, mãe. Tudo bem. O mesmo de sempre. E quanto a você? Ok. Não, Kendra tem dança ás seis. Kyle tem baseball às sete.” Ela sorriu. “Tudo certo. Eu também te amo. Tchau.”

Ele desligou o telefone e se virou para mim, espelhando o olhar estranho no meu rosto.

“Você perdeu um?” eu perguntei.Frankie riu. “Não. O bebê está dormindo, graças a Deus.”Ela limpou os balcões novamente, e eu limpei a bagunça da banana split Blizzard da Sonny. Nosso Dairy Queen estava em um dos menores prédios e mais antigos de Blackwell, um pequeno ponto no mapa de Oklahoma. Os proprietários, Cecil e Patty, ficavam mais do que felizes em deixar estranhos irem para tirar fotos do seu único edifício estilo anos cinquenta. Os clientes podem pedir em uma das duas janelas de correr em frente, ou na loja de Drive-Thru no lado sul. Quase não havia espaço para Frankie e eu nos movimentarmos ao redor, e muitas vezes esbarrávamos uma na outra, quando tínhamos uma avalanche de clientes depois de jogos de beisebol ou durante a semana de feira. Um solitário banco na sombra foi colocado na lateral do edifício para clientes que queriam ficar por aqui para comer seus cones de sorvete e cachorro-quente, mas estava geralmente vazio.

“Ah, que bom. O treino acabou,” disse Frankie, observando os vários carros e caminhonetes pertencentes à equipe de beisebol pararem em seus lugares no estacionamento de cascalho na rua. Vários deles entraram no DQ e estacionaram, uma dúzia de garotos suados saltaram e atravessaram o asfalto para a minha janela. Frankie abriu a dela, e duas linhas foram formadas.

Weston Gates teve que se inclinar para baixo para olhar para mim, seus olhos encontram os meus através de seus desgrenhados fios de cabelo castanho, ainda molhados de suor. Sua camiseta cinza escuro dizia Blackwell Maroons. As letras maroons desgastadas pelas inúmeras lavagens durante o seu agora quarto ano de futebol, basquete e beisebol na escola. Seu pai era um atleta na Blackwell High School, também, e sua mãe e irmã mais velha Whitney, eram ambas as capitãs das líderes de torcida. Whitney estava agora no seu segundo ano de faculdade na Universidade de Duke, indo para sua graduação em Direito, e ela raramente voltava para casa. Eu não a conhecia bem, mas ela tinha belos e, amáveis olhos, assim como Weston.

“Qualquer coisa, Erin. Tudo é bom” disse ele com um sorriso tímido.

“Você acabou de dizer que ela era boa, Wes?” repreendeu Brady Beck “Como você sabe? Eu não sabia que você já passou por favelas.”.

Os outros caras riram e fizeram barulhos estúpidos.

As bochechas de Weston já estavam coradas pelo treino, fazendo-as parecerem como se alguém tivesse passado um pincel de tinta vermelha clara entre elas e lhes dado um tapa…duas vezes. Elas estavam dois tons mais escuros. O rubor de suas bochechas contra os seus olhos esmeralda fazia os parecer ainda mais brilhante. Eu estava tentando não olhar para aqueles olhos desde a escola primária, e desde que Alder colocou os olhos em cima dele na oitava série, eu tentava ainda mais.“Ignore-os, Erin. Eles são idiotas.” Ele engasgou um pouco quando ele falou, em seguida, virou-se para tossir na dobra do cotovelo.
Fiz pra ele um cone de morango simples – tamanho extra, porque sabia que era seu favorito – peguei o seu dinheiro, e o vi soltar o seu troco no meu frasco de gorjeta de plástico. “Obrigado,” disse ele, dando uma grande mordida no topo, enquanto caminhava de volta para sua caminhonete.

Os outros caras não foram tão amigáveis, e a maioria deles nem sequer olhou em meus olhos. No entanto, eu estava acostumada com isso. Crescer com uma mãe que já tinha visto o interior de uma cela de prisão mais de uma vez, os outros pais não eram tímidos sobre como manter seus filhos longe de serem corrompidos pela filha de Gina Easter. Embora minha mãe nem sempre foi tão ferrada. Ela era a rainha do baile de Boas-vindas de Blackwell em 1995. Eu só sabia disso por que tinha visto entre as fotos. Ela era linda, com sua franja loira provocativa de lado e volumosa, bochechas saudáveis que levantavam seus grandes olhos castanhos em fendas. 

Como Frankie, Gina era uma jovem mulher grávida. Ao contrário de Frankie, ela deixou que o ressentimento mudasse os seus sonhos por causa de um bebê não planejado que se tornou insustentável demais, ela então se envolveu com álcool. E a maconha. E com o passar dos anos acrescentou às crescentes decepções na pilha, qualquer droga era suficientemente boa se ela a ajudasse esquecer o que ela poderia ter sido. Eu não teria me importado tanto se isso tivesse entorpecido sua raiva, mas quase todas as noites adicionava uma caixa de Keystone Light , para sua raiva isso apenas a deixava pior.

Todas as noites, quando Frankie apagava as luzes e dizia sua frase favorita, eu estremecia, sabendo que era hora de ir para casa de Gina.

“Adios bitchachos!”

“Não se esqueça que eu tenho uma reunião do ultimo ano amanhã depois da escola, então eu vou chegar um pouco tarde.”

“Eu lembro” ela disse, pegando sua bolsa e as chaves. Ela abriu a porta para mim. “Carona?”Eu balancei minha cabeça. Toda noite ela me perguntava, e todas as noites eu dizia não, e é por isso que ela sempre fazia uma perguntava sobre isso. Eu vivia a apenas cinco quadras depois do DQ, de qualquer maneira, e o primeiro dia da primavera estava prestes a acontecer.As solas dos meus sapatos esmagavam o cascalho solto junto ao meio-fio enquanto eu caminhava pela rua escura. Apenas as áreas aleatórias em torno da cidade tinham calçadas, e o caminho mais curto para a minha casa não era um deles. Alguns carros passavam por ali, mas era mais uma noite tranquila de quinta-feira. Nenhum tráfego vindo da Igreja, nenhum tráfego dos jogos. As quintas eram minhas noites favoritas de ir a pé para casa.

Eu subi os degraus de concreto para a varanda, e a porta de tela choramingou quando abriu. Eu podia ouvir a música de Gina do outro lado da porta, e hesitei apenas o tempo suficiente para mentalizar a mim mesmo para o que me esperava do outro lado. 
Quando a porta se abriu, e eu vi que a sala estava vazia, corri para o meu quarto e fechei a porta.

A música estava vindo do seu quarto, no final do meu corredor. Eu podia sentir o cheiro de maconha assim que eu entrei, então, ela provavelmente estava fumando e relaxando em sua cama, o que era sempre preferível a uma fúria de bêbado.

Os nós do meu avental facilmente se desamarraram, e eu tirei o resto das minhas roupas, jogando-os em uma cesta cheia. Quase todas as noites eu estava cansada demais para lavar a roupa, por isso acumulava até que eu levasse para a lavanderia a poucos quarteirões ao sul do Dairy Queen. Estar sozinho em Suds & Duds era assustador à noite, então eu preferia esperar até o inicio da tarde de sábado. Gina estaria acordada a essa altura, e era uma boa desculpa para sair de casa antes do trabalho.Eu deslizei em uma camiseta enorme, preta desbotada que dizia OAKLAND RAIDERS. Eu achava que era do meu pai, mas não tinha certeza. Isso poderia ser uma das peças escolhidas aleatoriamente por Gina em um brechó. Mas por alguma razão, eu gostava de pensar que era dele – quem quer que ele fosse – e usá-la fazia o palácio de cupins infestado de baratas que vivíamos, se parecer um pouco mais como uma casa.
Sentei-me no tapete verde no meu quarto. Ele já foi uma coisa felpuda, mas tornou-se um emaranhado com o passar dos anos e se parecia mais à pele de um animal muito feio. Eu tinha uma página de Álgebra II para terminar; então me arrastei pelo corredor até o banheiro para lavar meu rosto e escovar os dentes com a letra abafada de Soul Asylum. Gina estava definitivamente drogada. “Runaway Train” era sua canção quando ela ganhava uns centavos para o saco de maconha.De volta ao meu quarto, sentei-me na beira da minha cama e vi meu reflexo no espelho acima da cômoda. Eles eram do brechó, como tudo em nossa casa. O espelho cambaleava quando alguém caminhava pelo meu piso, e a maioria das gavetas não abriam direito, mas elas completavam a sua função, e isso é tudo que eu precisava. Eu penteei meu cabelo castanho escuro para longe do meu rosto até que a escova poderia passar todos os fios sem prender, em seguida, alisei para trás em um rabo de cavalo.As molas envelhecidas da minha cama reclamaram quando eu rastejei para debaixo das cobertas. O ventilador de teto balançava quando se virava lentamente, me embalando para dormir enquanto qualquer música que Gina estava escutando, cantarolava através paredes. Eu tomei uma respiração profunda. O dia seguinte seria longo. A reunião do ultimo ano era obrigatória, e eu temia ir. Eu geralmente evitava funções escolares, só para salvar a mim mesmo da humilhação sofrida nas mãos das outras Erins. O Ensino médio me ensinou que qualquer tentativa de socializar não valia a pena pelas inevitáveis piadas e, por vezes, o assédio moral que se seguia. Às vezes, os professores intervinham, mas a maioria deles não fazia isso. As Erins, juntamente com Brady Beck e alguns de seus amigos, apreciavam somente uma coisa mais do que me provocar – me fazer chorar. Isso sempre me pareceu ser o objetivo, e quanto mais eu resistia, mais duro tentavam. Assim, nos últimos quatro anos, eu sustentei a escola, o trabalhar e a mim mesma. Eu tinha ganhado uma bolsa de estudos, e entre isso e os subsídios, eu estaria conseguindo dar o fora do inferno Blackwell, para longe das Erins, Brady e Gina.

Estendi a mão e puxei a corda da lâmpada. Por mais que Sonny realmente quisesse que eu fizesse, eu não apagaria a luz e me mataria. Eu estava indo descansar, salvar a minha força para mais um dia esgotante. Amanhã me levaria um dia mais perto da liberdade que Frankie sonhou.”

E nesse mega post temos também mais um trechinho do livro ― que vocês podem considerar como um extra 🙂

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Trecho:

“O que você está lendo?” Uma voz profunda pergunta de um assento atrás de mim

Eu mal reconheci a pergunta do Weston, segurei a capa do meu livro alto o bastante para que ele pudesse ver o título.

Ele assentiu, esperando que eu falasse. Quando eu não falei, ele deu um pequeno sorriso e começou a sentar-se. “O que você está lendo?” Eu perguntei

Weston imediatamente se inclinou na minha direção e me mostrou a capa do seu livro do mesmo jeito que eu tinha feito.

“Piers Anthony?” Weston pigarreou para abafar uma tosse e depois sorriu “Eu gosto dessas coisas”

Assenti. “Eu aprovo”

“Bom,” Weston sussurrou. “Eu estava preocupado.” Depois de uma pequena pausa ele se cochichou na minha orelha “Por que você nunca fala comigo na aula de Artes?”

Nós temos aula de Artes juntos, eu esperei ansiosa pela aula o dia todo. Weston estava lá, mas o mais importante é que as pessoas como as Erins e o Brady não estavam. Nós somos sérios em relação ao nosso trabalho e esse é o único lugar da escola em que eu posso ser eu mesma

“Eu acho que eu estava ocupada”

“Você vai estar ocupada hoje?”

“Provavelmente sim”

“Bem, talvez eu tenha sorte e você faça uma pausa” Eu me virei para esconder um sorriso mas não antes de me virar para trás e ver o olhar de raiva nos olhos da Alder.

“Puta”, ela disse sem sair voz, me encarando.

E é por aqui que ficamos! Em breve teremos um “Especial: Happenstance 2” 😉

 

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