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Postado por Bianca Maddox Claire C. Riley entrevista Jamie McGuire

A autora bestselling do USA Today, Claire C. Riley, entrevistou Jamie McGuire há algum tempo, mas a entrevista só foi postada recentemente no site. Confira ela traduzida abaixo:

Claire: Jamie, você costumava ser mais conhecida pela série new adult Belo Desastre e os livros derivados dela. Mas agora você é uma eclética escritora de diferentes gêneros, indo até o romance paranormal e o horror apocalíptico, o que é ótimo. Claro que todos os gêneros tem as suas próprias dificuldades, mas de todos os que você escreveu, em qual você encontrou mais dificuldade e por quê?

Jamie: Meu romance sci-fi Apolonia foi muito difícil, principalmente porque os personagens frequentavam uma universidade como o MIT, e eram muito mais inteligentes do que eu. Eu tive que pesquisar coisas como astrofísica, astrobiologia e eletromagnetismo. Os diálogos e descrições exigiram uma boa dose de pesquisa porque – a despeito da expectativa moderada para a suspensão da crença – os personagens tinham que ser críveis. Estudantes inteligentes o suficiente para frequentar uma universidade privada de pesquisa, focada em ciência e tecnologia, tinham que ser inteligentes de acordo com o meu desenvolvimento e configuração dos personagens. Para eles saberem quem eram, sobre o que estavam falando, eu tinha que saber primeiro – ou pelo menos reunir informação suficiente para parecer convincente!

Claire: Os irmãos Maddox obviamente devem ter um lugar especial no seu coração, mas qual outro personagem ficou mais preso em você?

Jamie: A Scarlet de Red Hill, porque ela é uma mãe solteira (como eu era quando desenvolvi a ideia) que lutou ferozmente para ver suas filhas de novo quando elas foram separadas durante o apocalipse zumbi; e a minha primeira família, os Ryels da trilogia Providence. Claire, a irmã de dezessete anos de Jared, é um anjo híbrido, e ela é um pouco atormentada com isso, e ela é foda.

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Claire: Red Hill foi seu primeiro empreendimento nos reinos do horror e do mundo zumbi (à propósito, bem-vinda à escuridão! Mua haha). O que te levou a decidir finalmente se aventurar num gênero sombrio como esse?

Jamie: Eu fui criada como Batista, então End Times foi parte da minha educação. Há! Eu também sou obcecada por filmes de terror e zumbis, a tenho sido desde que era criança. Um dos três trabalhos da minha mãe era gerenciar a locadora de filmes local, então eu cresci com os tios Michael Myers e Freddie Kruger, e meu cachorro, Cujo. Elle Ripley (também conhecida como Sigourney Weaver de Aliens) foi e sempre vai ser minha rainha. Red Hill foi a primeira tentativa no horror, e depois eu escrevi Among Monsters, a novella. Enquanto os leitores podem achar meu tipo de horror atípico, porque essas histórias são mais focadas nos personagens ao invés da construção do mundo e sangue coagulado, esse são de longe os meus livros preferidos entre os que publiquei, por causa da escrita e do enredo.

Claire: Foi uma grande mudança, não só para você mas também para os leitores. Como eles encararam as primeiras notícias sobre você escrevendo um romance apocalíptico?

Jamie: Eu escrevi a série Providence, um romance paranormal Young Adult, onde a ação aumentava a cada volume (também levando a um possível apocalipse), e a série Beautiful contém violência. Horror e thrillers apocalípticos são gêneros com os quais eu sempre me senti familiarizada, porque eles são tópicos que me entretém, então eu não sinto como se fosse um grande salto para mim. Entretanto, foi uma surpresa para os meus fãs, eu acho. Muitos deles estavam hesitantes porque eles não preferem ler horror. Eles leem livros de romance para sentir uma série de coisas, mas nunca medo (não do tipo em que você apaga as luzes e tranca as portas, em todo o caso). Eu tentei escrever Red Hill e Among Monsters de um jeito que fosse atrair meus leitores e, pelo feedback, eu sinto que consegui isso. Dois anos depois um fã vai me enviar uma mensagem e dizer “Eu finalmente achei coragem para ler Red Hill. Não acredito que esperei tanto tempo!”. Meus leitores são quem dá o salto, e eu agradeço toda vez que alguém faz isso.

Claire: Você tem planos de escrever outros livros desse gênero?

Jamie: Eu planejo escrever uma sequência para Red Hill. Talvez eu transforme em uma série.

Claire: Você é uma sobrevivencialista com um plano apocalíptico ou vai apenas lidar com isso na hora?

Jamie: Eu sou uma sobrevivencialista. Eu tenho uma bug out bag *(mochila com itens básicos de sobrevivência para poucos dias)*, armas, munição, e eu até construí minha casa anterior com zumbis em mente. Eu realmente possuo um facão. Nossa casa da piscina não tem janelas no primeiro andar e uma vigia no andar de cima. Nós tínhamos um estoque de provisões, mas eu não tenho sido mais tão obsessiva desde que nos mudamos para o Colorado. Eu não sei, eu acho que sinto que agora que estamos numa cidade montanhosa com uma população pequena, nós temos mais chance. As bug out bags ainda estão penduradas no meu closet, apesar disso.

Claire: Qual a sua canção tema para o apocalipse?

Jamie: Eye of the Tiger. Para tudo, sempre. Correr, longas viagens na estrada, sexo, esfaquear zumbis com chaves de fenda… pode apostar.

Claire: Atualmente você está trabalhando no próximo livro da série Maddox Brothers, mas o que seus leitores podem esperar depois disso?

Jamie: Eu não sei. Há! É tão estranho dizer isso. Depois do lançamento de Beautiful Burn em janeiro, vai ser a primeira vez em seis anos que eu não tenho um próximo lançamento programado (ou cinco). Eu decidi pegar leve e trabalhar algumas horas por dia em um projeto young adult chamado All the Little Lights, que eu estou considerando publicar por uma editora; e em outra série adulta (leia: não erótica) chamada Other Lives; e depois possivelmente algumas sequências para Red Hill e os livros dos Maddox. No futuro próximo, eu vou começar a escrever a vida diária de Travis e Abby no Wattpad. Isso é pegar leve? Não sei. Vamos ver.

Claire: Eu sei que você declarou recentemente que estava esperando poder deixar seu trabalho um pouco de lado na esperança de priorizar a sua família e ter menos estresse, mas como escritores nós temos tendência à nunca realmente nos deligar dos nossos mundos. Então, realisticamente, como você acha que isso funciona?

Jamie: Bom, três dias depois de eu postar isso, eu estava assistindo Making a Murderer com meu marido e, com meu coração em pânico, virei para ele e disse “Eu deveria estar escrevendo”. Eu não tenho certeza se quando nós escritores conseguimos diminuir o ritmo depois de começarmos a fazer vários lançamentos por ano, mas deveríamos. Ou, pelo menos, eu devo. Eu ainda tenho crianças pequenas em casa que mudam todos os dias, e eu não quero perder isso.

Claire: O mundo indie tem sido transformado ao longo dos anos. Você acha que ele está ficando mais forte ou que está começando a declinar? O que antes era uma estrutura onde um autor apoiava o outro rumo ao crescimento, você acha que agora está se tornando mais “olho por olho”?

Jamie: Me deixe começar com uma avaliação muito sincera da nossa situação atual: Milhares de livros indie por dia estão sendo agitados e não editados, embalados de maneira não profissional, e sendo vendidos por $ 0.99 ou menos. Quando eu comecei em 2009, nós tínhamos menos recursos, mas ainda assim a maioria dos autores se esforçava para produzir livros que não pudessem ser distinguidos dos publicados pelas editoras. Foi assim que fortalecemos o mercado indie. Isso não é para afrontar ninguém que está lutando para pagar um editor ou designer de capas, mas o mercado indie atual está sofrendo um problema de profissionalismo que se tornou um problema de saturação. Uma autora recentemente me disse que se sentiu ofendida pela minha postura de que livros publicados deveriam ser editados. Por causa de tantos autores que clicam precipitadamente em “Publicar”, o dinheiro dos leitores está sendo gasto em milhões aos invés de milhares, e os leitores estão sendo condicionados – pelos autores – a sentir que qualquer livro que custa mais de $ 0.99 é caro. Se o seu livro, profissionalmente editado, embalado, e comercializado é vendido a $ 2.99 e os leitores dizem que vão esperar para compra-lo até que “vá para a promoção”, isso é uma prova de que tempos um problema com preços no mundo indie. Se o seu livro não vale mais de um dólar, pode ser que convenha que você gaste mais tempo fazendo com que valha.

A explosão de livros indie é uma coisa boa, em que os leitores tem uma enorme variedade de livros para escolher, com muitos preços diferentes. Atualmente nós estamos vendo mudanças negativas porque poucos autores são capazes de ganhar o suficiente para viver, ou estão ganhando significativamente menos. Pirataria, regras frouxas no varejo para a devolução total ou em grande parte dos eBooks, e preço condicionado alimentam o problema. Em qualquer outro emprego, se um empregado experimenta um corte no pagamento, ele pode achar um segundo trabalho, ou outro emprego em tempo integral. Mas e se você ama o seu trabalho? Se é o seu talento e algo que você é impulsionado a fazer? Esse tipo de desespero – especialmente se você pediu demissão do seu trabalho regular para ser um escritor em tempo integral – vem com a vontade de prover o sustento da sua família, precisando satisfazer a necessidade de criar, e testando a liberdade de ser autônomo. Isso pode produzir sentimentos como ressentimento, ciúmes e culpa. Sob estresse, as pessoas podem reagir a coisas como o sucesso dos seus pares de um jeito que não reagiriam normalmente.

Claro, há autores lá fora que mostram essas frustrações, mas o sucesso vem de edificar uns aos outros ao invés de focar em desculpas e culpa, e existem muitos autores indies de sucesso. O modelo atual de autopublicação ainda está na infância, e está passando por algumas dores de crescimento. Mas não está indo a lugar algum. O indie está aqui para ficar.

Claire: Qual foi o melhor conselho a respeito da escrita que te deram ao longo dos anos?

Jamie: A autora Jessica Park me disse bem no começo da minha carreira para nunca “aceitar todas as mudanças” durante o processo de edição. O único jeito de fazer a sua escrita crescer e melhorar é observar quais mudanças seu editor faz e aprender por quê. Eu estou longe de ser uma escritora com gramática perfeita, mas minha escrita melhora com cada livro porque eu presto atenção em cada marcação vermelha. Seguir esse conselho tem me ajudado a reconhecer e aparara as minhas palavras chave e frases, a construir uma sentença melhor, e admitir que apenas porque o que eu escrevo faz sentido para mim, não significa que vai estar claro para o leitor. Eu também aprendi que só porque uma sentença está ‘correta’, isso não faz com que esteja bonita. Tem que haver equilíbrio.

O conselho mais importante que eu me deram foi a respeito do negócio da escrita. Me disseram para criar uma conta bancária empresarial, para manter a minha renda vinda dos livros em separado, e sempre guardar mais do que eu precisava para impostos. Esses pedaços valiosos de conhecimento me pouparam muito estresse.

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Fonte | Tradução: Karina Matos

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