Postado por Steph Resenha Red Hill – Jamie Mcguire

818Lm53jfvLTenho tanto pra falar desse livro que não sei por onde começar! Quem me conhece já sabe que a Jamie McGuire é a minha autora preferida, e Red Hill é mais um livro dela que a Editora Verus trouxe ao Brasil. Ele tem uma temática totalmente diferente de Belo Desastre, que foi o responsável por eu me tornar fã da Jamie, e confesso que tive um certo medo de me decepcionar com essa mudança de estilo. Mas aconteceu o oposto.

O livro se passa num mundo pós-apocalíptico onde, após anos de estudo, um cientista finalmente conseguiu fazer com que mortos voltassem à vida. Ou quase isso. E em meio ao caos, os destinos de Scarlet, Nathan e Miranda se entrelaçam quando os três procuram abrigo no mesmo rancho, o Red Hill. Os pontos de vista são alternados entre os três e a escrita é em primeira pessoa, nos dando a perfeita visão de como cada um está lidando com a nova realidade assustadora à sua volta.

12108163_483851908452318_3565847308711564753_nAntes de tudo, eu preciso dizer que jamais gostei de zumbis, e isso me preocupou um pouco antes de começar a leitura. Mas depois percebi que Red Hill realmente é um livro sobre relações humanas. Sobre amor romântico e amor familiar, sobre até onde você iria pra proteger quem é importante na sua vida. E a mágica foi tão bem feita que no fim eu já estava até gostando dos zumbis.

Os personagens principais são muito bem construídos e é fácil entrar na mente deles. Eu vi muito da Jamie na Scarlet, trabalhando como Técnica de Raio X e criando duas filhas… Imagino que ela tenha inserido outras características da sua personalidade na heroína. Ela é uma mulher forte e prova mais de uma vez que é capaz de tudo pelas filhas. Nathan é um homem bom tentando criar sua filha da melhor maneira possível; e Miranda é uma garota um tanto mimada e superficial, mas que no fundo tem um grande coração. Eu amo como a personalidade de cada personagem é tão bem construída e descrita aos poucos ao longo do livro. E não só dos principais, mas também dos secundários. Cada um tem seu passado, sua história e suas particularidades.

A qualidade da escrita continua impecável, sendo inteligente, séria e divertida no tempo exato. Tendo lido apenas seu Young Adults, eu me surpreendi com a ousadia da Jamie nesse novo gênero. Fiquei admirada em ver até onde ela chegou e bem curiosa pra ler seus livros de outros gêneros, porque agora sei que posso ler sem medo! Pra mim, Red Hill foi a prova de que tudo que Jamie McGuire escreve é maravilhoso, não importa o tema de fundo. Acho que ela nasceu pra isso.

12182814_490405701130272_1158013785709370984_oTudo acontece com tanta sutileza e no tempo certo… Eu me identifiquei com várias situações, principalmente as que envolviam Miranda. Os personagens são tão humanos e cheios de falhas, como nós. Algumas situações do livro aconteceram comigo ou com pessoas do meu convívio e são aquele tipo de coisa que a gente prefere ignorar porque é difícil de lidar. E em Red Hill a Jamie coloca o dedo na ferida, me lembrando um pouco a Lionel Shriver. Elas mostram lados que a gente tem, mas não gosta de admitir. É inquietante, mas ao mesmo tempo recorfortante, pois dá a impressão de que não somos os únicos a viver aquilo. Essa característica do livro foi uma das que mais contribuiu pra que eu o amasse tanto.

Outro ponto muito positivo foi a tradução, que ficou por conta de Ana Death Duarte. Ela foi a responsável pela tradução de todos os livros da Jamie publicados pela Verus e, desde Belo Desastre, me peguei admirando a sua maneira de traduzir. Ela encaixa termos e expressões bem brasileiros ao texto, ao invés de apenas tentar traduzir ao pé da letra. Isso dá uma cara bem mais real ao que está escrito e eu valorizo demais uma boa tradução. É algo que pode enriquecer ou arruinar uma história e o trabalho da Ana Death sempre enriquece.

12027611_483687375135438_4625724171461172183_nTambém gostei do fato de a editora manter a capa original, que é linda. O livro ficou uma graça e é todo caprichado. E, por falar em capa, eu tenho a edição americana de Red Hill, em capa dura e autografada, e é liiinda de morrer. Vou tirar umas fotos dela e postar , como fiz com essas de Beautiful Disaster e Walking Disaster.

Red Hill foi um dos melhores livros que li esse ano, e entrou direto pra minha lista de favoritos. Ele me fez pensar sobre até onde vamos e o que somos capazes de fazer pra sobreviver. Nessa entrevista pro IndieReader, Jamie disse que o maior elogio que os leitores podem fazer a ela é dizer que leram um dos seus livros em um dia e ela ficaria feliz em saber que foi o que aconteceu comigo. Ou quase isso, porque eu tinha que parar pra viver, rs. Mas a vontade era de ler de uma vez só. Eu mergulhei totalmente na história e ainda tô com certa dificuldade em me desligar… Tanto que ainda nem comecei outra leitura.

E por último, uma dica: a música que mais representa o livro pra mim é Islands, do Young the Giant, e eu recomendo muito a leitura junto com ela! Me apaixonei.

Amei demais o livro e mal posso esperar para ler tudo que essa mulher já escreveu! Ela é incrível.

Fonte | Resenha: Karina Matos

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